Formação Docente: Estratégias e Tendências para a Educação em 2026
- Felipe Diniz
- 18 de nov. de 2025
- 8 min de leitura
*Artigo desenvolvido por: Thalia Fernandes - Especialista em Educação.

Introdução
A educação passa por uma transformação acelerada, impulsionada pela tecnologia, pelas mudanças sociais e pelas novas demandas formativas. Esse cenário, ao mesmo tempo desafiador e repleto de oportunidades, exige que a formação docente — inicial ou continuada — se reinvente de forma ágil e consistente. Elementos como a Inteligência Artificial (IA), o avanço tecnológico, o impacto da pandemia na digitalização e a necessidade de atualização das práticas pedagógicas expandem o repertório necessário aos profissionais da educação.
Este artigo apresenta as principais tendências e marcos regulatórios que orientam a preparação dos professores para esse novo contexto, explorando temas como metodologias ativas, BNCC e BNCC Computação, Política Nacional de Educação Digital (PNED) e o papel transformador da IA na sala de aula.
Método Tradicional x Metodologias Ativas
Historicamente, o método tradicional de ensino se estruturou em aulas expositivas nas quais o professor detinha o conhecimento e os estudantes ocupavam uma posição predominantemente passiva. Conforme aponta Silva (2014), esse modelo priorizava a transmissão de conteúdos de forma hierárquica e unidirecional, com forte ênfase na memorização.
Diversos autores criticaram esse paradigma ao longo do tempo. No Brasil, Paulo Freire (1970) trouxe uma importante contribuição ao caracterizar essa abordagem como “educação bancária”, em que estudantes são meros receptores. John Dewey, por sua vez, propôs uma educação experiencial e baseada em projetos, colocando o aluno no centro do processo formativo.
O cenário educacional contemporâneo demanda práticas dinâmicas e participativas. Nas metodologias ativas, o professor atua como mediador, incentivando a participação dos estudantes e construindo ambientes de aprendizagem mais significativos. Como resultado, observa-se maior engajamento, melhoria nas interações e fortalecimento da autonomia.
Na formação docente, é essencial que os profissionais vivenciem e compreendam essas metodologias, aplicando-as com apoio de recursos digitais e ferramentas pedagógicas.
Exemplos de Metodologias Ativas:
Aprendizagem Baseada em Projetos (PBL)
Sala de Aula Invertida
Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP)
Ensino Híbrido
Rotação por Estações
Gamificação
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A BNCC e seu Complemento: a Computação
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) representa um marco estruturante na educação brasileira ao definir competências e habilidades essenciais para toda a educação básica. Sua implementação visa garantir equidade, qualidade e alinhamento curricular em todo o país.
Em 2022, a BNCC Computação foi instituída como complemento, consolidando as competências digitais como parte fundamental da formação dos estudantes. Amparada pelo Parecer CNE/CEB nº 2/2022 e pela Resolução CNE/CEB nº 1/2022, a Computação tornou-se componente curricular obrigatório.
Mais do que o uso de tecnologias, a BNCC Computação apresenta um novo paradigma educativo: o desenvolvimento do pensamento computacional, a resolução de problemas, a compreensão crítica do mundo digital e a atuação ética na cultura digital.
Os três eixos estruturantes — Pensamento Computacional, Mundo Digital e Cultura Digital — organizam experiências que estimulam a exploração de padrões, a criação de algoritmos, a interação com objetos digitais e a decomposição de problemas complexos.
Política Nacional de Educação Digital + Lei da conectividade
A Política Nacional de Educação Digital (PNED), instituída pela Lei nº 14.533/2023, reforça a importância do letramento digital, do ensino de programação e da formação de cidadãos capazes de participar de forma crítica e consciente da cultura digital. Isso demanda que os professores compreendam os fundamentos da política e desenvolvam competência para trabalhar com recursos tecnológicos de maneira significativa.
Complementarmente, a Lei da Conectividade (Lei nº 14.172/2021, atualizada pela Lei nº 14.640/2023) ampliou a infraestrutura de internet nas escolas públicas, enquanto a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (Decreto nº 11.713/2023) estabelece a meta de garantir conectividade universal até 2026.
Assim, a formação docente precisa integrar esses marcos legais à prática pedagógica, preparando profissionais para utilizar tecnologias de forma crítica, inclusiva e responsável.
Inteligência Artificial (IA) e o Novo Papel Docente
O uso ampliado de tecnologias digitais, especialmente a IA Generativa, é a inovação mais disruptiva da educação atual. A IA oferece ferramentas que podem auxiliar na personalização do ensino, na criação de materiais didáticos e na automação de tarefas administrativas. Contudo, sua rápida ascensão apresenta desafios cruciais para a Formação Docente.
O trabalho do professor é inegociável, pois a tecnologia, sozinha, não garante o aprendizado. Segundo o Guia para a IA Generativa na Educação e na Pesquisa da Unesco (2023), o uso da IA é inseparável da mediação crítica do educador. Nesse cenário, o papel do docente se transforma de transmissor de conteúdo para um curador, mentor e guia ético no uso das ferramentas digitais.
É fundamental que os educadores compreendam:
Ética e Viés: Como usar a IA de forma justa, transparente e sem reforçar preconceitos.
Curadoria de Conteúdo: A capacidade de selecionar, validar e adaptar as informações geradas pela IA para garantir a precisão e a adequação pedagógica.
Segurança de Dados: O entendimento das políticas de privacidade ao usar plataformas de IA com estudantes.
Com a IA, o foco do professor muda para:
Com a incorporação dessas ferramentas nas práticas pedagógicas, ampliam-se as possibilidades de:
personalização de trilhas de aprendizagem;
desenvolvimento de habilidades socioemocionais;
criação de experiências de aprendizagem mais significativas;
uso de recursos interativos, simulações e ambientes virtuais.
Dessa forma, a formação docente pode favorecer a reflexão sobre maneiras de integrar essas tecnologias ao cotidiano escolar, explorando seu potencial como apoio ao processo de ensino e contribuindo para práticas pedagógicas mais intencionais e interativas.
Como a Jovens Gênios potencializa essas tendências para 2026
As transformações previstas para a educação em 2026 — como a personalização das aprendizagens, o uso pedagógico de dados, a gamificação estruturada e o fortalecimento das competências digitais — já estão incorporadas ao ecossistema tecnológico da Jovens Gênios. A plataforma foi desenvolvida desde sua origem com esses princípios, o que garante maior coerência entre tendências pedagógicas e aplicação prática em sala de aula.
A Jovens Gênios opera por meio de duas plataformas integradas e complementares:
1. Exploradores (para estudantes): Ambiente gamificado, interativo e adaptativo, que oferece trilhas personalizadas de aprendizagem. Com base na análise contínua do desempenho, o sistema identifica o nível de proficiência de cada estudante e recomenda atividades compatíveis com suas necessidades, respeitando diferentes ritmos e favorecendo o avanço progressivo das habilidades. Isso possibilita:
redução de defasagens;
manutenção do engajamento;
desenvolvimento de competências alinhadas à Taxonomia de Bloom.
2. Educadores (para professores e gestores): É um ambiente no qual os professores podem criar atividades, elaborar planos de aula personalizados e acompanhar o desenvolvimento dos estudantes por meio de um painel que organiza informações de forma clara e acessível. Esse painel facilita a análise de desempenho, a identificação de dificuldades e a tomada de decisão baseada em evidências do próprio processo de aprendizagem.
Os relatórios, apresentados em tempo real, apoiam o planejamento, orientam intervenções pedagógicas e possibilitam um acompanhamento contínuo das turmas. Além disso, o ambiente reúne:
um banco de questões e atividades organizadas por habilidades;
alinhamento direto com a BNCC;
indicadores relevantes para redes que monitoram metas como as do IDEB.
A combinação entre personalização das aprendizagens, gamificação e uso pedagógico de dados fortalece a prática docente e contribui para experiências educacionais mais intencionais, eficientes e alinhadas às demandas contemporâneas.
3. Plataforma de Formação Docente: Outro diferencial é o ambiente de formação da Jovens Gênios, que oferece cursos atualizados e alinhados às necessidades atuais da prática docente. Os conteúdos abordam temas como cultura digital, metodologias ativas, BNCC Computação, educação para o século XXI e estratégias de ensino mediadas por tecnologias. Esse espaço garante que o professor tenha suporte teórico e prático para incorporar, de forma crítica e consciente, as ferramentas e metodologias já presentes na plataforma utilizada por seus estudantes.
Assim, a Jovens Gênios não apenas acompanha as tendências educacionais para 2026 — ela as antecipa. Ao articular personalização, gamificação, análise de dados e formação docente, a plataforma apresenta um ecossistema completo que fortalece a inovação pedagógica, qualifica o planejamento e contribui para a melhoria efetiva da aprendizagem em escolas e redes de ensino.
Conclusão
A formação docente ocupa um papel decisivo na construção de práticas pedagógicas capazes de dialogar com a complexidade do cenário educacional contemporâneo. Mais do que incorporar recursos tecnológicos, trata-se de compreender como metodologias ativas, gamificação, habilidades e competências da BNCC e da BNCC Computação, PNED e Inteligência Artificial podem contribuir para experiências de aprendizagem mais significativas, participativas e alinhadas às necessidades dos estudantes.
Nesse contexto, o desenvolvimento profissional dos professores exige aprofundamento teórico, conhecimento dos marcos normativos e domínio de estratégias pedagógicas que favoreçam autoria, criticidade, criatividade e colaboração. Ao vivenciarem essas práticas em seu próprio processo formativo, os docentes ampliam seu repertório, fortalecem sua autonomia e se tornam mais capazes de analisar contextos, selecionar abordagens adequadas e planejar intervenções didáticas coerentes com os desafios atuais da educação brasileira.
A integração ética e consciente da IA, por exemplo, amplia possibilidades de personalização, acompanhamento pedagógico e acessibilidade, ao mesmo tempo em que demanda atenção aos aspectos éticos, à curadoria de conteúdos e à proteção de dados. Já a BNCC e a BNCC Computação orientam a construção de experiências que estimulem o desenvolvimento de competências essenciais para a atuação ética, crítica e criativa. Somam-se a isso políticas públicas como a PNED, a Lei da Conectividade e a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas, que estabelecem bases estruturais para que a inovação pedagógica se torne viável em larga escala de forma equitativa.
Assim, investir na formação docente é investir em Professores bem preparados tornam-se agentes transformadores capazes de trabalhar com intencionalidade pedagógica, interpretar dados, criar ambientes de aprendizagem mais humanos e engajantes e responder às demandas de um mundo em constante mudança. São esses profissionais que sustentam o avanço da educação brasileira rumo a 2026 e além, articulando conhecimento, tecnologia, competências socioemocionais, sustentabilidade para promover a aprendizagem de forma profunda e significativa para todos os estudantes.
Referências Bibliográficas
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